Dois Josés: os laços proféticos entre José do Egito e Joseph Smith
A história sagrada às vezes se desenrola com uma simetria interessante, que vale nossa atenção. Um desses padrões aparece na ligação profética entre José do Egito e Joseph Smith. As escrituras dos Santos dos Últimos Dias apresentam esse relacionamento não como coincidência, mas como parte de um desígnio divino que se estende por milênios.
Essa ideia surge na Tradução de Joseph Smith de Gênesis 50 e recebe um poderoso reforço no Livro de Mórmon, particularmente em 2 Néfi 3. Quando essas passagens são lidas em conjunto, apresentam uma visão convincente de uma profecia cumprida por meio de linhagem, revelação e restauração de registros sagrados.
Quem é José do Egito
José do Egito já se destaca como uma das grandes figuras do Antigo Testamento. Sua história traz o drama da traição, da perseverança e do livramento final. Vendido como escravo por seus próprios irmãos, ele ascendeu após anos de sofrimento até tornar-se um líder de confiança no Egito. Por meio de revelação e sabedoria, preparou a terra para a fome e preservou a família de Jacó em um tempo de extrema necessidade.
Contudo, as escrituras dos Santos dos Últimos Dias acrescentam outra dimensão ao papel profético de José. De acordo com a Tradução de Joseph Smith de Gênesis 50, José não olhou apenas para o futuro imediato de seu povo. Ele também contemplou um futuro distante. Nessa visão, falou de um vidente dos últimos dias que surgiria dentre seus próprios descendentes. Esse vidente levaria o nome de José. Sua missão envolveria trazer à luz a palavra de Deus e ajudar a restaurar verdades obscurecidas ao longo dos séculos.
A profecia torna-se ainda mais específica. O pai desse futuro vidente também se chamaria José. O Senhor o levantaria para realizar uma obra de grande valor para a casa de Israel. Suas palavras levariam as pessoas ao conhecimento dos convênios feitos com seus pais. Aqueles familiarizados com a vida de Joseph Smith não podem deixar de perceber os impressionantes paralelos.

A linhagem de José predita no Livro de Mórmon
O Livro de Mórmon fortalece essa conexão profética de maneira notável. Em 2 Néfi 3, o profeta Leí reúne seus filhos e fala diretamente a seu filho mais novo, que também se chama José. Nesse cenário íntimo, Leí recorda a profecia de José do Egito. O antigo patriarca, explica Leí, previu um vidente dos últimos dias entre seus descendentes. Esse vidente traria à luz registros sagrados ocultos por muito tempo.
A passagem então passa da predição para o propósito. Os registros trazidos por esse José dos últimos dias trabalhariam juntamente com a Bíblia para estabelecer a verdade da palavra de Deus. Restaurariam ensinamentos claros e preciosos que haviam sido perdidos.
Assim, também ajudariam a convencer Israel disperso dos convênios feitos com seus pais. Não se trata de uma previsão vaga. A profecia identifica a linhagem, missão e até o nome. Descreve um vidente cuja obra se concentraria na coligação de Israel.
Joseph Smith, o descendente
A vida de Joseph Smith corresponde estreitamente a essa descrição. Nascido em 1805, filho de Joseph Smith Sênior, ele surgiu de uma linhagem familiar identificada nas bênçãos patriarcais dos Santos dos Últimos Dias como pertencente à tribo de Efraim, filho de José do Egito. Por orientação divina, traduziu o Livro de Mórmon a partir de placas antigas e o publicou em 1830. Os Santos dos Últimos Dias veem esse momento como o capítulo inicial da Restauração.
A conexão entre os dois Josés torna-se ainda mais significativa quando seus papéis são considerados lado a lado. José do Egito preservou a vida física durante um período de fome. Ao preparar os celeiros do Egito, garantiu a sobrevivência de sua família e de muitos outros durante uma crise devastadora.
Joseph Smith entrou em um tipo diferente de fome. O cenário espiritual do século XIX incluía profundo anseio religioso, mas também ampla confusão sobre doutrina, autoridade e revelação. Por meio da vinda do Livro de Mórmon e da restauração da autoridade do sacerdócio, Joseph Smith ajudou a reabrir canais de revelação considerados essenciais ao evangelho de Jesus Cristo.

Desafios em comum entre José do Egito e Joseph Smith
Outro elemento comum em suas histórias envolve a adversidade. José do Egito suportou a traição daqueles que lhe eram mais próximos. Enfrentou escravidão, falsa acusação e prisão antes que sua missão se tornasse amplamente conhecida. Deste mesmo modo, Joseph Smith enfrentou oposição incessante durante seu ministério. Multidões hostis o expulsaram de sua casa e a seus seguidores mais de uma vez.
As dificuldades de sua vida fazem parte da narrativa maior da Restauração. Esses paralelos não sugerem experiências idênticas, mas revelam um padrão no qual Deus prepara Seus servos escolhidos por meio de provações antes de colocá-los em posições de responsabilidade sagrada.
A profecia em 2 Néfi 3 também enfatiza a coligação de Israel. José do Egito preservou a casa de Jacó em sua geração. Joseph Smith ensinou extensivamente sobre a coligação de Israel nos últimos dias. O trabalho missionário, os convênios do templo e a renovada atenção às promessas feitas a Abraão tornaram-se elementos centrais da crença e da prática dos Santos dos Últimos Dias.

O cumprimento da profecia, nos últimos dias
Vista sob essa perspectiva, a profecia sobre o José dos últimos dias, coloca a Restauração dentro de uma narrativa sagrada muito mais longa. As promessas de convênio feitas aos antigos patriarcas continuam a se cumprir nas gerações posteriores.
Para os Santos dos Últimos Dias, a conexão entre José do Egito e Joseph Smith ilustra como o cumprimento de uma profecia pode levar um grande período de tempo. Um patriarca no Egito antigo olhou para um servo, no futuro, que ajudaria a restaurar a palavra de Deus. Séculos depois, um jovem no interior de Nova York assumiu esse papel e iniciou uma obra que continua a moldar a fé de milhões.
Esse fio profético convida a uma apreciação mais profunda da unidade das escrituras. O Antigo Testamento, o Livro de Mórmon e a revelação moderna não se apresentam como testemunhas isoladas. Eles se unem para contar uma única história contínua de convênio e redenção.
Quando essas passagens são lidas em conjunto, a voz de José do Egito atravessa os séculos com serena certeza. O Senhor levantaria um vidente chamado José. Por meio dele, registros sagrados viriam à luz e o conhecimento dos convênios de Deus se expandiria novamente entre Seu povo.
A história agora forneceu o nome que a profecia antecipou.
Fonte: Meridian Magazine
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