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O equívoco do The Wall Street Journal: Por que toda religião merece repeito

O The Wall Street Journal costumava saber a diferença entre escrever sobre uma fé e encená-la. Em seu artigo sobre “influenciadores ‘ex-mórmons’ que travam uma guerra no TikTok contra a Igreja Mórmon”, o jornal foi muito além do que seria aceitável.

O texto faz mais do que reportar sobre os críticos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ele coloca ordenanças sagradas em primeiro plano, incluindo uma foto posada de uma ex-membro vestindo roupas do templo e descrições que transformam batismos, iniciatórias e outras ordenanças em um teatro. 

O que é sagrado não é conteúdo. E quando um jornal de alcance nacional o trata dessa forma, não se trata de reportagem investigativa — é uma quebra de confiança com o leitor e com a religião que retrata.

Existe um longo registro público de como os principais veículos de comunicação (incluindo o próprio WSJ) lidam com os ritos restritos de outras religiões: com reverência e discrição.

O duplo padrão da imprensa: quando outras religiões recebem mais respeito

Quando os católicos escolhem um papa, os repórteres não infiltram câmeras para além da Guarda Suíça. Eles reconhecem o conclave a portas fechadas e cobrem a fumaça e os comunicados, não os juramentos dentro da Capela Sistina. 

Quando os monges do Monte Atos proíbem a entrada de mulheres em sua península exclusivamente masculina, o WSJ escreve sobre o lugar e suas regras, mas não as quebra. 

Do mesmo modo, quando os muçulmanos realizam o hajj, o jornal utiliza pontos de vista oficiais, não incursões secretas. Sua cobertura recente sobre as mortes devastadoras pelo calor em 2024 mostra exatamente esse tipo de distância e cuidado. 

Em outras palavras: o consentimento é a diferença entre uma visita e uma invasão — e o The Wall Street Journal sabe disso.

O próprio WSJ defendeu esse princípio quando outra pessoa desrespeitou essa mesma fronteira. Em 2022, um repórter de TV israelense entrou secretamente em Meca, uma cidade onde a entrada de não-muçulmanos é proibida. 

A página de opinião do WSJ publicou a manchete “As Regras de Meca Cabem aos Muçulmanos”, com a linha de apoio de que um “jornalista israelense imprudente” havia colocado outros em risco. 

O ponto central era claro: a fronteira de Meca é real, e cruzá-la não é um truque de mídia — é uma violação. O respeito pelos limites sagrados não é uma exceção à regra; é uma norma da profissão.

The Wall Street Journal

Rigor jornalístico no The Wall Street Journal

Agora, voltando ao artigo do WSJ sobre os santos dos últimos dias. O artigo dá destaque a ex-membros que recriam ou exibem elementos de adoração no templo considerados sagrados e privados. 

Uma década atrás, quando a própria Igreja decidiu explicar suas vestimentas do templo e pediu que a imprensa as tratasse como os paramentos de outras religiões, a cobertura responsável fez exatamente isso — incorporando o vídeo explicativo da própria Igreja e deixando que as imagens da instituição contassem a história. 

Dessa vez, o WSJ escolheu o oposto: uma imagem promocional de uma ex-membro em trajes sagrados, além de reencenações de vídeos sociais. 

Se até a HBO, uma marca de entretenimento com fins lucrativos, se desculpou por ofender os santos quando a série Big Love dramatizou uma cena do templo em 2009, por que uma redação de tanto prestígio está agora diminuindo seu rigor jornalístico?

The Wall Street Journal

A resposta do The Wall Street Journal e a ética jornalística

Ao ser contatado para comentar, um porta-voz do The Wall Street Journal respondeu:

“A reportagem do Journal é precisa, justa e atende aos seus elevados e confiáveis padrões. O Journal pratica um jornalismo ‘sem surpresas’. Conforme observado no artigo, nosso repórter esteve em contato com a Igreja, que se recusou a comentar. Tivemos grande cuidado na preparação desta matéria e mantemos nossa reportagem.”

O Código de Ética da Sociedade de Jornalistas Profissionais é claro: forneça contexto; evite ceder à curiosidade mórbida; considere as diferenças culturais; minimize os danos. Ele também adverte que o acesso legal à informação não é o mesmo que uma justificativa ética para publicá-la. 

O The Wall Street Journal insiste que sua matéria é “precisa e justa”, que pratica um jornalismo “sem surpresas”, que contatou a Igreja e que “mantém” sua reportagem. Mas justiça não é um simples telefonema. É o conjunto da obra: manchete, imagens, enquadramento, contexto. Em todos os quatro, este artigo falha. 

Os próprios padrões públicos do WSJ prometem “apresentar de forma justa todos os lados da história por meio de reportagens rigorosas e baseadas em fatos” e manter uma “conduta profissional apropriada”. 

Usando qualquer critério normal — especialmente a mesma régua que o WSJ usou para julgar o caso de Meca — fica claro que o jornal não atendeu às suas próprias normas.

O The Wall Street Journal pode até defender sua reportagem, mas não atendeu aos padrões jornalísticos aceitos. Não atendeu nem mesmo aos seus próprios padrões. O jornal se distanciou do jornalismo sério e se aproximou do sensacionalismo que apenas busca visualizações.

Liberdade religiosa: um direito de todos

O The Wall Street Journal é um dos jornais mais importantes do mundo. Por isso, quando ele publica algo, as pessoas levam a sério. 

Ao tratar ritos sagrados como um show, o jornal não só desrespeita a fé de milhões de pessoas, mas abre uma porta para que outros façam o mesmo. O resultado pode gerar um ataque sutil ao próprio princípio da liberdade religiosa, que depende de um respeito mútuo e fundamental.

Como santos dos últimos dias, a liberdade religiosa é um alicerce da nossa fé. Acreditamos que Deus deu a todos o arbítrio — o dom de escolher — e que forçar alguém em sua crença é ir contra este princípio sagrado.

A décima primeira Regra de Fé da Igreja declara de forma inequívoca este princípio: 

“Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde, ou o que desejarem.” 

Por isso, a Igreja defende esse direito não apenas para seus membros, mas para todas as pessoas, de qualquer crença. 

A verdadeira liberdade de imprensa não se mede pela audácia em cruzar fronteiras sagradas, mas pela sabedoria em respeitá-las. É uma lição que serve de reflexão para o The Wall Street Journal e para o jornalismo como um todo.

Este artigo foi publicado na Public Square Magazine, traduzido e adaptado pela Equipe Mais Fé.

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Um comentário sobre “O equívoco do The Wall Street Journal: Por que toda religião merece repeito

  • Existem pessoas no mundo que ao invés de procurarem seu próprio conhecimento, sem interferirem na crença ou dedução alheia e particular de cada ser vivente, tentam detonar a liberdade de escolha daqueles que simplesmente procuram fazer o bem. São indivíduos vazios de esperança sem um pingo de empatia pelo próximo, enfim agem como depredadores imbecis sem nenhuma noção do que os esperam em um futuro próximo. Aguardem, justiça tarda mas não falha queridos irmãos.

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