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A pergunta que vai além de “O Livro de Mórmon é verdadeiro?”

Há cerca de 33 anos, li o Livro de Mórmon e perguntei a Deus se ele era verdadeiro. Ele me respondeu com um “sim” inegável e audível. Minha vida antes daquela resposta era como um veículo off-road correndo pela Alpine Loop com o motorista vendado. Depois de ler o Livro de Mórmon, foi como um trem sobre trilhos.

Às vezes peguei o trilho errado e precisei voltar, mas os limites saudáveis que eu havia aceitado como membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias me protegeram de fazer escolhas que poderiam ter me levado para muito longe do caminho.

Casei-me no templo e acabei tendo cerca de 60 filhos, a maioria deles crianças em acolhimento temporário, ao longo dos 25 anos seguintes. Muitas vezes negligenciei coisas básicas, como a leitura das escrituras e a frequência ao templo, mas, mesmo durante períodos de inatividade na Igreja, continuei firmemente apegada a valores básicos como família, honestidade, integridade e serviço.

Há alguns anos, quando meus filhos passaram a exigir menos de mim e eram menos numerosos, comecei a pensar com mais clareza sobre minha fé e sobre o Livro de Mórmon. Eu ainda tinha um testemunho do Livro de Mórmon. Ele definitivamente é verdadeiro, mas o que exatamente isso significa? Por exemplo, ele apresenta regras para a vida? Existem regras para a religião? Há informações sobre a vida após a morte ou até mesmo sobre o futuro próximo?

Essas perguntas estavam em minha mente havia algum tempo. Então, há alguns meses, quando me perguntaram sobre o que eu gostaria de falar na reunião sacramental, pensei: “Ah, ótimo, esse é o incentivo de que preciso para me aprofundar e encontrar essas respostas”.

Tentando encontrar as “regras” do Livro de Mórmon

Comecei a reler na primavera passada. Estava usando apenas o aplicativo Biblioteca do Evangelho porque achei que seria bem fácil. Destaquei vários versículos em 1 Néfi. Como 1 Néfi 1:4: “(…) e apareceram muitos profetas, nesse mesmo ano, profetizando ao povo que todos deveriam arrepender-se ou a grande cidade de Jerusalém precisaria ser destruída”. Escrevi nas minhas anotações do aplicativo:

Regra para a vida nº 1: Os profetas nos alertam. Ouça os profetas.

Depois, destaquei o versículo 6, em que Deus respondeu às orações de Leí em favor de seu povo. Acrescentei às minhas anotações:

Regra nº 2: Deus responde às orações. Ore sobre tudo.

Então fui para o versículo 8, em que Leí foi arrebatado em uma visão. Escrevi:

Regra nº 3: Visões são reais. Pessoas comuns têm visões. Pergunte a Deus se você precisa de uma.

Continuei até 1 Néfi 2:2: “E aconteceu que o Senhor ordenou a meu pai, num sonho, que partisse com a família para o deserto”. Isso levou a:

Regra nº 4: Deus se comunica conosco por meio de sonhos. Preste atenção a eles.

No versículo 7, Leí construiu um altar e deu graças ao Senhor. Percebi outra regra:

Regra nº 5: Esteja disposto a fazer sacrifícios e demonstre sua gratidão a Deus.

No versículo 19, eu li: “Bendito és tu, Néfi, por causa de tua fé, porque me procuraste diligentemente, com humildade de coração”.

Regra nº 6: Seja humilde. Deus gosta de humildade.

E então, no versículo 24: “E se acontecer que ela se rebele contra mim, eles serão um flagelo para teus descendentes, a fim de levá-los aos caminhos da lembrança”.

Regra nº 7: O sofrimento ajuda você a se lembrar de Deus. Use-o para esse propósito.

Em 1 Néfi 3:1–5, o Senhor ordena a Leí que obtenha de Labão os registros sagrados, e ele então envia seus filhos para buscar as placas de latão.

Regra nº 8: Mantenha seus registros. Eles ajudarão você a se lembrar de seu relacionamento com Deus.

No versículo 6, Leí diz a Néfi: “(…) serás favorecido pelo Senhor, porque não murmuraste”. Entendi a mensagem:

Regra nº 9: Não reclame. Você será o favorito de Deus. (E o meu também.)

No versículo 7: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”.

Regra nº 10: Faça o que Deus pedir a você, mesmo quando não fizer sentido.

Dez regras já. Eu estava me divertindo, mas comecei a me perguntar até que ponto uma lista de 2 mil regras seria útil.

Além disso, quando cheguei ao capítulo 4, Néfi já estava apresentando novamente regras que eu havia anotado. Aquilo poderia rapidamente se tornar impossível de administrar se eu começasse a esquecer quais regras já havia escrito.

Talvez a pergunta fosse outra

Decidi que talvez pudesse simplificar o processo se, em vez de compilar regras, classificasse as diferentes passagens por categorias. Então anotei alguns temas principais. Li até o fim de 2 Néfi e criei cerca de 20 ou 30 cartões de anotações. Ainda estava produzindo informação demais.

O problema é que, como o Livro de Mórmon é verdadeiro, tudo o que está nele é verdadeiro. Eu estava ficando sem tempo para fazer a pesquisa para meu discurso. Voltei atrás e decidi fazer uma pergunta maior, mais abrangente: Qual era a intenção de Deus ao colocar este livro em minhas mãos?

Algumas coisas chamaram minha atenção.

Logo no início de 1 Néfi há uma passagem que diz: “Pois tudo o que desejo é persuadir os homens a virem ao Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, e serem salvos.” (1 Néfi 6:4). Em outras palavras, Néfi quer nos converter.

Mais adiante, em Mosias 18, Alma, o pai, ensina seu povo e os batiza. Ele organiza a Igreja de Cristo e, no versículo 20, “(…) mandou-lhes que não pregassem senão arrependimento e fé no Senhor, que redimira seu povo.”. Depois de todo o meu esforço para tentar resumir o livro, isso foi extremamente satisfatório. Alma queria que os convertidos se concentrassem em duas coisas: fé e arrependimento. Adorei.

Depois que terminei o livro inteiro, parei para refletir. A passagem que despertou em mim a emoção mais forte durante essa leitura foi Alma 26, em que Amon quase transborda de alegria ao olhar para trás e pensar no que Deus havia feito por meio dele e de seus irmãos entre os lamanitas.

Ele se lembra de como aquela missão parecia sem esperança no início, as pessoas zombavam deles e diziam que eram tolos por tentar, mas agora milhares haviam conhecido a Deus. Ele sabia o quanto eram fracos, o quanto sofreram e o quanto dependiam completamente de Deus. Sua alegria vinha do contraste entre aquilo que poderiam ter realizado sozinhos, quase nada, e aquilo que Deus realizou por meio deles.

A emoção se torna ainda mais forte quando Amon pensa nas pessoas que realmente foram transformadas. Pessoas que ele ama, pessoas que antes estavam distantes de Deus e que agora têm esperança, perdão e um relacionamento com Cristo.

Ele se lembra da rejeição, da prisão, da fome, da exaustão e do desânimo que enfrentaram, mas tudo isso parece ser engolido pela alegria de ver outras pessoas sendo salvas. Ele descreve essa alegria como algo quase insuportável em sua intensidade.

Esse é o testemunho de um homem que descobriu que a alegria mais profunda da vida está em ver outra pessoa se voltar para Cristo e saber que você teve uma pequena participação nisso. Essa verdade foi a que mais me surpreendeu, porque percebi que acho que ele está certo. O trabalho missionário é o que há de melhor. Eu nunca teria dito isso três meses atrás.

dúvidas sobre a igreja

Se é verdadeiro, o que vou fazer a respeito?

Comecei esse projeto porque já sabia que o Livro de Mórmon era verdadeiro, mas queria saber o que isso significava. Não encontrei uma lista simples e organizada de regras. Encontrei centenas delas. Mas, por trás delas, encontrei algo muito mais simples.

Deus é real. Ele fala com Seus filhos. Jesus Cristo realmente é nosso Salvador. Estamos aqui para aprender a nos tornar semelhantes a Ele. O arrependimento é real. As famílias importam. Os convênios importam. O que fazemos com esta vida importa.

E, mais importante, há uma alegria imensa disponível para nós quando ajudamos uns aos outros a encontrar o caminho de volta para Deus. A verdade mais abrangente do Livro de Mórmon é que ele foi escrito para levar as pessoas a Cristo.

Há 33 anos, perguntei a Deus se o Livro de Mórmon era verdadeiro, e Ele me respondeu com um “sim” inegável. Depois de lê-lo novamente tantos anos mais tarde, acho que finalmente entendi que minha pergunta não deveria terminar ali.

Se ele é verdadeiro, e eu sei que é, então a pergunta passa a ser: o que vou fazer a respeito disso?

Fonte: Meridian Magazine

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Post original de Maisfé.org

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